Quando se fala em Reggio Emilia, é comum que a arquitetura ocupe rapidamente o centro da conversa. Ambientes integrados, materiais naturais, transparências, ateliês e espaços flexíveis costumam aparecer como imagens que sintetizam a abordagem italiana. No entanto, observar essas características de forma isolada pode levar a uma interpretação simplificada daquilo que tornou Reggio Emilia uma referência internacional.
A arquitetura não foi o ponto de partida dessa experiência. Foi sua consequência.
Ao longo de décadas, educadores, pedagogos e arquitetos construíram, juntos, uma compreensão de que o espaço deveria responder às formas como as crianças aprendem, investigam e estabelecem relações. Cada decisão projetual passou a refletir uma intenção pedagógica. Não se tratava de desenhar uma escola diferente, mas de construir um ambiente capaz de apoiar uma determinada visão de educação.
Foi justamente para aprofundar essa compreensão que a Finestra participou de uma imersão em Reggio Emilia, cidade italiana conhecida pela filosofia educacional desenvolvida por Loris Malaguzzi. Mais do que visitar escolas reconhecidas internacionalmente, a experiência permitiu revisitar a origem de conceitos que hoje influenciam projetos educacionais em todo o mundo, compreendendo as relações entre arquitetura, pedagogia e experiência.
Essa aproximação faz ainda mais sentido diante das transformações que vêm acontecendo também no cenário brasileiro. Cada vez mais instituições de ensino têm buscado modelos pedagógicos que valorizam investigação, colaboração, autonomia e protagonismo dos estudantes. Nesse contexto, o espaço deixa de ser apenas o lugar onde as atividades acontecem para participar ativamente da construção dessas experiências.
Uma das ideias centrais de Reggio Emilia ajuda a compreender essa mudança. Ao reconhecer as “cem linguagens da criança”, a abordagem entende que o conhecimento pode ser construído por meio da experimentação, do desenho, da escrita, da conversa, do corpo, da observação, da construção, da arte e de inúmeras outras formas de expressão. Se existem muitas maneiras de aprender, dificilmente um único tipo de ambiente será suficiente para acolhê-las.
A consequência para a arquitetura é direta. Em vez de organizar espaços especializados e compartimentados, surgem ambientes capazes de conectar diferentes formas de aprender e diferentes áreas do conhecimento. Ateliês, bibliotecas, áreas comuns e espaços de convivência deixam de cumprir funções isoladas para se transformar em lugares permanentes de investigação, onde disciplinas se cruzam e novas descobertas acontecem de maneira espontânea.
Essa lógica aparece em diferentes projetos desenvolvidos pela Finestra.
Na Biblioteca Luminar, o espaço foi concebido muito além da função tradicional de armazenar livros. Diferentes escalas de permanência, nichos de leitura, mesas compartilhadas e percursos fluidos criam um ambiente que estimula pesquisa, encontro, criação e permanência. A biblioteca passa a funcionar como um território de construção de conhecimento, onde cada estudante pode encontrar sua própria forma de explorar conteúdos e estabelecer conexões entre diferentes interesses.
O mesmo princípio orienta os projetos desenvolvidos para o Colégio do Bosque. Em vez de ambientes rigidamente definidos por funções, a arquitetura favorece continuidades espaciais que permitem diferentes configurações de uso ao longo do dia. Os espaços acompanham a dinâmica pedagógica, acolhendo atividades individuais e coletivas, momentos de concentração e colaboração, sem estabelecer fronteiras rígidas entre elas.
Essa relação entre espaço e aprendizagem também se aproxima de outro princípio importante observado em Reggio Emilia: a escola como uma comunidade de relações. A tradicional separação entre circulação, sala de aula e áreas comuns perde força para dar lugar a espaços que estimulam encontros cotidianos. A própria piazza, elemento central das escolas italianas, representa essa ideia de um lugar coletivo onde convivência, troca e aprendizagem acontecem simultaneamente. Da mesma forma, os ateliês deixam de ser salas dedicadas exclusivamente à arte para funcionar como laboratórios permanentes de pesquisa, experimentação e documentação dos processos de aprendizagem.
Mais do que reproduzir essas soluções, o desafio está em compreender os princípios que lhes deram origem. Horizontalidade, flexibilidade, identidade dos espaços e possibilidade de transformação não são recursos estéticos, mas respostas arquitetônicas a escolhas pedagógicas construídas ao longo do tempo. São ambientes pensados para evoluir com seus usuários, permitindo novas formas de ocupação à medida que a escola também se transforma.
É justamente por isso que conhecer a pedagogia é parte essencial do processo de projetar uma escola. Antes de definir materiais, layouts ou mobiliário, é preciso compreender que tipo de aprendizagem aquele espaço pretende incentivar e quais relações deseja construir entre estudantes, educadores e comunidade.
Na Finestra, acreditamos que essa escuta é parte inseparável do projeto. A imersão em Reggio Emilia reforça um entendimento que orienta nosso trabalho há anos: a arquitetura educacional não começa no desenho. Ela começa na compreensão profunda da educação. Porque, quando espaço e pedagogia caminham juntos, a escola deixa de apenas abrigar o aprendizado e passa a participar ativamente da maneira como ele acontece.
Sobre a Finestra Arquitetura
Fundada em 2010, a Finestra Arquitetura tem sido uma força inovadora nos mercados de arquitetura escolar, corporativa e comercial, áreas nas quais o escritório se especializou em 2015. Com mais de uma década de atuação, nossa jornada é marcada pela paixão por criar ambientes excepcionais, compartilhada por toda a equipe.
Na Finestra Arquitetura, cada projeto é uma oportunidade para inovar. Fundamentados em nossa vasta experiência, combinamos técnicas tradicionais, ideias inovadores e parcerias fortes para criar designs que se destacam.